Estou persistente com essa história de 'Palavras e Silêncio'.
" Essa é uma época de incontinência verbal. Não sei se as pessoas falavam tanto assim antes. Sempre me surpreendo com a capacidade que muitos têm de preencher todo o tempo e o espaço com palavras, muitas vezes sem dizer nada. Sempre penso: o que aconteceria se por um momento elas silenciassem? Qual é a ameaça contida no silêncio? Ou qual é o som que não suportamos ouvir para precisar cobri-lo com o ruído ininterrupto de nossa voz? Vivemos com muito som e pouca fúria. (...) A vida é bem melhor do que isso. O dito é, muitas vezes, tão importante quanto o não-dito ... É preciso calar para ser capaz de escutar o silêncio. Olhar significa sentir o cheiro, tocar as diferentes texturas, perceber os gestos. as hesitações, os detalhes, aprender as outras expressões do que somos. ... Olhar é um ato de silêncio. (...) Olhar para você mesmo é uma escolha. Um exercício da liberdade, da autodeterminação, do livre-arbítrio. Seja generoso. Arrisque. Ouse. Olhe. "
Esses trechos tirei do livro A vida que ninguém vê, da jornalista Eliane Brum. Coincidentemente, ontem peguei esse livro da minha estante pensando em escrever algumas coisas no estilo que ela escreve. Escrever sobre essa tal vida que ninguém vê; pessoas anônimas, mas com muita história pra contar; pessoas que não estampam páginas em jornais, mas que têm em suas vidas histórias mais fascinantes que muitas biografias de famosos por aí....
E aí encontrei essas frases, sobre palavras, e sobre silêncio.... no texto, ela fala sobre ser repórter, "a melhor profissão do mundo", mas acho que serve pra muita coisa tudo isso que a Eliane escreve.
Bom, pra quem não conhece, o que acredito ser a maioria, trata-se de uma excelente jornalista, que escreve quase em forma de crônica, com técnicas literárias, grande poder de observação e um texto primoroso. É repórter especial da revista Época... vale a pena conferir!
Saiba mais sobre Eliane e o livro A vida que ninguém vê