sábado, junho 13, 2009

'O amor é filme'

O amor é filme..
eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
eu sei porque sei muito bem como a cor da manhã fica
dá felicidade, dá dúvida, dor de barriga
é drama, aventura, mentira, comedia romântica

um belo dia a gente acorda e hummmm...
o filme passou por a gente
e parece que já se anunciou o episódio dois

é quando a gente sente o amor se aboletar na gente
tudo acabou bem, agora é o que vem depois

o amor é filme
eu sei pelo cheiro de menta e pipoca que dá quando a gente ama
eu sei por que sei muito bem como a cor da manhã fica
dá felicidade, dá dúvida, dor de barriga
é drama, aventura, mentira,
comedia romântica

é quando as emoções viram luz
e sombras e sons, movimentos
e o mundo todo vira nós dois, dois corações bandidos

enquanto uma canção de amor persegue o sentimento
o zoom-in dá ré e sobem os créditos..

O amor é filme e Deus espectador!


"- A gente devia ser como o pessoal do filme, poder cortar as partes chatas da vida, poder evitar os acontecimentos!
Num é?!?!"


Música de Lirinha....
Cordel do Fogo Encantado
Tema do filme Lisbela e o Prisioneiro

terça-feira, junho 09, 2009

Olhar é um ato de silêncio

Estou persistente com essa história de 'Palavras e Silêncio'. 

" Essa é uma época de incontinência verbal. Não sei se as pessoas falavam tanto assim antes. Sempre me surpreendo com a capacidade que muitos têm de preencher todo o tempo e o espaço com palavras, muitas vezes sem dizer nada. Sempre penso: o que aconteceria se por um momento elas silenciassem? Qual é a ameaça contida no silêncio? Ou qual é o som que não suportamos ouvir para precisar cobri-lo com o ruído ininterrupto de nossa voz? Vivemos com muito som e pouca fúria. (...) A vida é bem melhor do que isso. O dito é, muitas vezes, tão importante quanto o não-dito ... É preciso calar para ser capaz de escutar o silêncio. Olhar significa sentir o cheiro, tocar as diferentes texturas, perceber os gestos. as hesitações, os detalhes, aprender as outras expressões do que somos. ... Olhar é um ato de silêncio. (...) Olhar para você mesmo é uma escolha. Um exercício da liberdade, da autodeterminação, do livre-arbítrio. Seja generoso. Arrisque. Ouse. Olhe. "

Esses trechos tirei do livro A vida que ninguém vê, da jornalista Eliane Brum. Coincidentemente, ontem peguei esse livro da minha estante pensando em escrever algumas coisas no estilo que ela escreve. Escrever sobre essa tal vida que ninguém vê; pessoas anônimas, mas com muita história pra contar; pessoas que não estampam páginas em jornais, mas que têm em suas vidas histórias mais fascinantes que muitas biografias de famosos por aí.... 

E aí encontrei essas frases, sobre palavras, e sobre silêncio.... no texto, ela fala sobre ser repórter, "a melhor profissão do mundo", mas acho que serve pra muita coisa tudo isso que a Eliane escreve. 

Bom, pra quem não conhece, o que acredito ser a maioria, trata-se de uma excelente jornalista, que escreve quase em forma de crônica, com técnicas literárias, grande poder de observação e um texto primoroso. É repórter especial da revista Época... vale a pena conferir!



Saiba mais sobre Eliane e o livro A vida que ninguém vê

segunda-feira, junho 08, 2009

Conto-poema, ou Poema-conto, ou seja lá o que for

Acordou cedo, lavou os olhos, saiu pra rua.

Bateu a porta, caiu a chave, saiu falando.

Olhou as horas, andou mais rápido, saiu cantando.

Nem percebeu que aquela vida não era a sua.

 

Chegou em casa, abriu a porta, caiu deitado.

Dormiu pesado, sonhou com a vida que não vivia.

Pulou com susto, abriu os olhos, mas nada via.

Sentiu perfume, caiu da cama, desconsolado.

 

Notou que o mundo, daquele jeito, não era seu.

Chega de susto, do muito custo, da solidão.

E na cegueira, vivendo a vida na contra-mão.

Fechou os olhos, caiu sentado, e assim morreu.

 

E viveu.

 

Sentiu perfume, e viu o mundo, quis ir pra rua.

Lavou os olhos, saiu pro mundo, não mais sonhou.

Saiu cantando, olhou as horas, não se apressou.

Viveu a vida, que a essa hora, já era sua.

Palavras e Silêncio

Ando lidando muito com essa antítese 'Palavras e Silêncio'. E quanto mais leio, mais coisas vão aparecendo...

Mas é sobre isso que queria falar pra começar a postar aqui. Palavras e mais palavras, representam a nossa mente. Esse mecanismo que não para um minuto, que nos faz escravos, que tenta ( na maioria das vezes com sucesso ) controlar nossa maneira de ser e de estar. O Silêncio vai além. Ele está sempre presente, embora na maioria das vezes ofuscado pela imensidão de palavras.

As palavras transitam, elas vão, elas voltam. Mas o silêncio fica. O que nos falta é prestar a atenção no silêncio e tentar ir aos poucos nos livrando das palavras. Pode ser contraditório um jornalista e escritor ( ao menos me rotulo assim ) pregar o abandono às palavras, mas isso é de certo modo metafórico.

Temos que buscar mais o silêncio, pois ele é nosso ser, nossa essência. É nossa maneira de entrar em contato com nós mesmos. Em resumo, é meditação. Cada vez mais nos afastamos do nosso interior, perdendo o contato com nossa essência. Não somos nossa mente, não somos o que pensamos. A mente é influenciada, e influencia.

"Libertem-se da escravidão da mente."

Obs. I: Contribuíram, mesmo que involuntariamente, nesse post: Bob Marley, Osho, Raul Seixas, Vinicius Oliveira...

Obs. II: Aceito e peço comentários. Apenas escrevo aqui o que vem na cabeça. Não pretendo ser o dono da verdade, até porque nem acredito que exista alguma verdade.